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Violência doméstica em Fortaleza atinge principalmente pré-adolescentes

Pesquisa aponta que em 39,1% dos casos de violência doméstica contra crianças e adolescentes da região metropolitana de Fortaleza, a vítima tem entre 10 e 14 anos. O levantamento foi realizado pela médica legista Hellena Carvalho, como parte de sua tese de doutorado e os dados foram divulgados pelo jornal O Estado de S. Paulo (12 de agosto).

Evento_VidarteNo Projeto Vid´Arte & Cidadania, apoiado pelo programa VIA em Fortaleza, muitas das crianças e adolescentes atendidos sofre violência em casa.  “Detectamos que 30% das nossas crianças e adolescentes sofrem de alguma forma com violência doméstica seja na agressão física ou psicológica”, diz Josefina da Silva Barros, coordenadora pedagógica do projeto.

Os meninos e meninas frequentam o projeto no contraturno escolar. Lá, participam de diversas atividades, como aulas de música, capoeira e oficinas de informática.

Barros conta a história do menino E., dez anos, que sofre com os maus tratos da mãe alcoólatra e do pai, que além de beber, é usuário de drogas. “Na casa deles, todo dia tem conflito, já entramos em contato com o Conselho Tutelar, mas ainda não tomaram uma atitude”, diz. “Nós temos obrigação de denunciar”.

Segundo a coordenadora, o menino deixou de aparecer no projeto em junho. “Fomos verificar o que estava acontecendo e vimos que ele estava com o pé enfaixado”, afirma. O menino contou que a mãe era responsável pelo ferimento. A mulher confirmou a agressão e justificou dizendo que o menino havia batido na vizinha.

De acordo com reportagem publicada no jornal, o que chamou a atenção da pesquisadora foi justamente as justificativas dadas pelos pais: “Eles acreditam que bater educa os filhos. Argumentavam que também apanharam de seus pais e diziam: ‘Eu sei que isso vai dar vergonha na cara deles’”, conta a médica.

A equipe do projeto sempre visita as famílias e faz aconselhamentos, mas a mentalidade do ‘bater para educar’ ainda predomina. “Temos percebido nas conversas que alguns pais ainda acham que batendo nos filhos irão resolver, educar para que futuramente não venham fazer nada de errado”, diz Barros. 

O menino E. continua frequentando o Vid´Arte & Cidadania e recebe ajuda psicológica. Com o exemplo que recebe em casa, E. é uma criança violenta e não que respeita ninguém. Apesar disso, gosta muito de participar do projeto.  “Eles fazem as atividades que gostam e brincam muito”, conta Barros.

Conheça o site do Projeto Vid´Arte & Cidadania


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