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Crescimento da oferta de empregos para adolescentes e jovens: desafio e oportunidade para as políticas de educação e trabalho

Dados divulgados em 11 de maio pelo Ministério do Trabalho e Emprego revelam que na faixa etária entre 16 a 17 anos, a expansão do nível de emprego foi de 19,06%, quase o triplo do crescimento médio registrado no período: 6,94%.

Ao mesmo tempo, dados do IBGE apontam uma tendência de adiamento do ingresso dos jovens no mercado de trabalho: mesmo com a ampliação da ofertas de emprego em 2010, muitos jovens estão priorizando a educação.

De fato, o adiamento do ingresso no mercado de trabalho e o investimento no estudo podem favorecer a construção de uma trajetória profissional mais sólida para os jovens. Ao mesmo tempo, muitos deles, especialmente os que são originários de famílias de baixa renda e com maior grau de vulnerabilidade, buscam inserção no mercado de trabalho como parte de uma estratégia pessoal e familiar de sustentação da vida.

O Estatuto da Criança e do Adolescente define as regras para garantia do direito dos adolescentes à profissionalização e à proteção no trabalho. Por exemplo, o artigo 67 do ECA afirma que “ao adolescente empregado, aprendiz, em regime familiar de trabalho, aluno de escola técnica, assistido em entidade governamental ou não-governamental, é vedado trabalho: I – noturno, realizado entre as vinte e duas horas de um dia e as cinco horas do dia seguinte; II – perigoso, insalubre ou penoso; III – realizado em locais prejudiciais à sua formação e ao seu desenvolvimento físico, psíquico, moral e social; IV – realizado em horários e locais que não permitam a frequência à escola.”

Nesse sentido, um desafio crucial das políticas públicas nas áreas de educação e trabalho de adolescentes e jovens, é promover uma boa articulação estratégica entre ações voltadas à manutenção da trajetória escolar e programas que promovam uma inclusão consistente e sustentável no mercado de trabalho dos jovens que necessitam trabalhar. Essas políticas devem evitar que, diante dos imperativos da sobrevivência, adolescentes e jovens sejam arregimentados para trabalhos em condições desfavoráveis ou até ilegais, e acabem descontinuando ou interrompendo sua trajetória escolar.

O projeto “Futuro em Nossas Mãos”, desenvolvido pela Votorantim Metais em parceria com o Centro de Apoio ao Trabalho da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho de São Paulo, e acompanhado pelo Instituto Votorantim, aponta caminhos que podem ser trilhados para o alcance desse objetivo. Nele, jovens com 18 anos ou mais recebem capacitação técnica e contam com uma rede de apoio que amplia suas oportunidades de inserção profissional. Em entrevista ao VIA blog, Saulo Cunha, consultor do projeto, destaca a importância desses aspectos estratégicos para a promoção de uma inclusão produtiva consistente dos jovens no mercado de trabalho.

 

Via blog – Qual o objetivo do Projeto Futuro em Nossas Mãos?

Saulo Cunha – O objetivo é a inserção dos jovens no mercado de trabalho, por meio de uma qualificação profissional. No caso do Futuro em Nossas Mãos, coordenado pela Votorantim Metais, essa inserção se dá na área de serralheria de alumínio, que integra a cadeia de produção e prestação de serviços na área do alumínio. Com o apoio da Votorantim Metais e da Associação dos Fabricantes de Esquadrias de Alumínio, formou-se uma rede de apoio ao ingresso desses jovens no mercado de trabalho.

Via blog – Qual o perfil dos jovens atendidos pelo Projeto?

Saulo Cunha – O Projeto atende jovens de 18 a 29 anos, que tenham concluído o ensino fundamental, embora a maior parte dos jovens que buscam o projeto aqui em São Paulo tenha o ensino médio concluído, por conta da universalização da educação. Eles também devem estar desempregados e, na verdade, a maior parte deles está em busca do primeiro emprego. Além disso, a renda familiar deve ser de meio salário mínimo per capita, embora esse não seja um fator eliminador, já que temos jovens com renda familiar um pouco superior.

Via blog – Quais os resultados do Projeto?

Saulo Cunha – Pensando na inserção profissional, que é o objetivo maior do projeto, temos conseguido inserir 50% dos jovens no mercado de trabalho. Aliás, essa é a meta do Projeto. Em algumas turmas, a inserção chega a ser de 60%. Vale lembrar que admitimos apenas o trabalho formal. Esses jovens foram contratados, registrados e estão tendo seus encargos recolhidos.

Via blog – O que é decisivo para que os jovens atendidos ingressem no mercado de trabalho?

Saulo Cunha – Evidentemente a qualificação é essencial. O jovem tem que conhecer o trabalho que ele está procurando e estar preparado para desempenhar a função. Outro ponto que, no caso do Futuro em Nossas Mãos, tem sido fundamental, é a ação em rede. Atualmente, temos dois parceiros, a AFEAL (Associação Nacional de Fabricantes de Esquadrias de Alumínio) e o CAT (Centro de Apoio ao Trabalho), que fazem a intermediação dos jovens com as empresas. Sem o apoio dessa rede, o jovem que recebe o diploma se tornará apenas mais um jovem com um certificado na mão, em busca de trabalho. A rede consegue facilitar a chegada dele nas empresas. Isso não quer dizer que eles serão contratados apenas porque recebem o apoio da rede. Eles também participarão de processos de seleção nas empresas. Contudo, a rede faz essa intermediação com as empresas, por exemplo, levando-as a conhecer o Projeto.

Além disso, ao final do período de capacitação técnica os jovens deverão estar com uma autoestima fortalecida. Caso contrário, não terão proatividade e confiança para buscar trabalho, e poderão desistir. O Projeto tem cuidado dessa parte por meio da oferta de orientações e atividades que fortaleçam não apenas o aprendizado técnico, mas também as capacidades pessoais e interativas dos jovens, assim como sua visão de mundo. Esse tem sido um importante diferencial do Futuro em Nossas Mãos.

Saiba mais sobre o Projeto Futuro em Nossas Mãos


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2 Comentários

  1. Preciso de um emprego de positor de meio periodo

  2. giovana disse:

    ola estou preçisando muito obrigado



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